Este em específico é bem esnobe. Não tem o charme das portinhas de correr,mesinhas de bambu ou cavaletes com o cardápio do lado de fora. É só um salão imenso, pé direito duplo e decoração kistch.
Ha uma árvore no meio do restaurante. Bem pequena, as folhas estão amarelas e a luz que recebe pelo vidro fumê é o tipo errado de luz. Provavelmente já lhe injetaram mais drogas que num atleta olímpico, tem alto-falantes na sua base, e enfeites japoneses pendurados em seus galhos. Mas ainda assim, é uma árvore. E se você entrecerrar os olhos e olhar para ela por sobre a cachoeira artificial, é quase possível imaginar um bonsai gigante e doente por entre uma neblina de lágrimas. Triste e lírico.
E está cheio. Quase todas as mesas são ocupadas por casais. Parece haver algo no consciente coletivo masculino que os faz acreditar que aquele tipo de lugar impressiona mulheres. Sinceramente tem de haver algo errado em mulheres que se impressionam com aquele tipo de lugar.
O cardápio é dividido em nacional/importado. E na sessão de importados, com uma bandeirinha do Japão e um preço que só faria sentido se incluísse ações da Mitsubish, encontra-se uma certidão de crime ecológico: Atum.
O atum japonês é famoso por duas coisas específicas. Primeiro porque é ENORME e segundo porque está no irreversivel caminho da extinção. Algo como uma Arara Azul nipônica. A pesca com arpões foi proibida por lá , mas eu vi num documentário da NatGeo que para driblar a fiscalização, os barcos pesqueiros, se travestiam de pesquisadores de biologia marítima.
É um tanto cruel imaginar que naquele lugar eles transformam o futuro de uma espécie em sashimi. Provavelmente, no exato instante em que alguém escolhe o prato mais caro do cardápio para impressionar a companhia, um barco "de pesquisa" chamado Katamaru ou coisa que o valha, está em algum lugar do pacífico sul pesquisando sobre a seguinte tese: quantos atums você pode matar em uma semana?
É algo obviamente insustentável. Em determinado momento, os atums vão simplesmente sumir da costa japonesa. E o capitão do Katamaru conduzirá seu próprio projeto de pesquisa para descobrir o que acontece a uma estatisticamente pequena amostra de capitães que voltam sem um barco cheio de material de pesquisa. Fico pensando no que fariam com eles. Talvez os tranquem numa sala com um lançador de arpões e esperem que se tome a atitude mais honorável.
É um sample do fim do mundo. Sabem? Misseis nucleares, fome, poluição, O céu queimará, os quatro cavaleiros marcharão, os rios virarão sangue, o caos fará moradia e bilhões de jantares de sushi clamarão por vingança.



8 comentários:
por isso que eu não sou chegada em comidas japonesas/chinesas/coreanas. medo dos jantares de sushi clamando por vingança..
tadinha da Nina. eu entendo o lado dela, viu. savida é fácil não.
rs rs
olha só você me criticando aí de GRAÇA só porque eu SOFRO.
eu ADORO comida japonesa
sou do povo
sou da ralé
sou da massa YEAAAHS
mas nao me desloco até a fucking liberdade pra comer isso não, tem uns tipo na esquina lá de casa. riri
Tenho muito medo de comida japonesa e acredito que o fim está próximo...
Que post incrível,
Inveja ligou...!
adorei o texto!
é bom saber que eu não sou a única que tem essa preocupação. vou me sentir menos solitária da próxima vez que eu passar a noite inteira degustando pepino quando acompanhar os amigos num restaurante japonês.
ricardo taba: o lutador de sumo (é isso o que significa o taba, a unica coisa q sei de japones. contada ontem por uma amiga que tava falando do gato dela: sumi taba) defensor dos atuns!
mas... eu tbm não gosto de comida japonesa.
sim, é o horror!
"Tá me chamando de gordo?!?"
esclarecendo: Adoro comida japonesa. Odeio pieguice á custa de um desastre ecológico.
Postar um comentário